O seminário ocorrerá no Laboratório de Imagem e Som em Antropologia (LISA)Rua do Anfiteatro, 181, Conjunto Colméia, Favo 10. São Paulo, SP, Brasil. CEP 05800-900 • 55 11 3091-3045. lisa@usp.br

As vagas são limitadas a 45 pessoas por sessão e dão direito a certificado de ouvinte. As inscrições devem ser realizadas pelo e-mail rodrigommonteiro@yahoo.com.br

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Resumo: Esboço para uma antropologia”, de Walter Benjamin

3ª. Sessão 7/11/08 (9h)

O jogo, a Festa e o Liminóide
Coordenador: Ana Lucia Ferraz (pós-doutor DA/USP)
Debatedor: Sylvia Caiuby Novaes (professora DA/USP)


André-Kees de Moraes Schouten schouten@usp.br
Resumo
Partindo daquela “constelação” intitulada “Esboço para uma antropologia” (Benjamin 2007)*, esta comunicação pretende explorar as potencialidades para uma antropologia benjaminiana a partir de suas reflexões acerca do corpo e da linguagem. Em outras palavras, o que se pretende aqui é refletir em que medida este esboço de WB, sendo capaz de produzir um abalo - ou de eletrificar certos circuitos adormecidos - no modo como tradicionalmente olhamos para a sua obra, nos permite entrever em alguns de seus mais conhecidos trabalhos o embrião de um verdadeiro projeto antropológico.
Palavras-chave: teoria antropológica; antropologia benjaminiana; corpo e linguagem
Situação: entre projeto e processo.

* BENJAMIN, Walter. 2007. “Constellations - Graphic Forms” In: Walter Benjamin’s Archive - images, texts, signs; translation E. Leslie; U. Marx et al. (ed.). London/New York.

Resumo: Terra da fantasia criada pela festa tecnológica: a performance rave de jardins secretos, universos paralelos e rituais psicodélicos.

3ª. Sessão 7/11/08 (9h)

O jogo, a Festa e o Liminóide
Coordenador: Ana Lucia Ferraz (pós-doutor DA/USP)
Debatedor: Sylvia Caiuby Novaes (professora DA/USP)


Carolina de Camargo Abreu caroldca@usp.br
Resumo
Este texto procura explorar como o conceito de performance, discutido por Victor Turner e Richard Schechner, mostra força analítica para um reflexão antropológica sobre a prática das festas raves. Discute as definições tradicionais de espetáculo, teatro e ritual, a fim de considerar como o festejar rave vale-se destas idéias - e de algumas de suas técnicas - para a construção de um universo paralelo. Universo Paralello, Trancendence, Secret Garden, Terra do Nunca, Avonts no País das Maravilhas, Psychedelic Ritual são alguns dos títulos dados a festas raves.
Atento a sugestões sussurradas por escritos de Walter Benjamin, este trabalho procura também compreender a peculiaridade histórica desta prática. Como um “parque de diversões” de final de semana, o festejar rave apropria-se de tecnologias eletrônicas, químicas e formas de arte contemporâneas para intensificar a força de imagens míticas e arcaicas da sociedade que a criou.
Palavras-chave: Festa, rave, antropologia benjaminiana.
Situação:trabalho em processo, próximo à qualificação.

Resumo: Os Roleplaying Games em jogos, performances, identidades, narrativas e discursos

3ª. Sessão 7/11/08 (9h)

O jogo, a Festa e o Liminóide
Coordenador: Ana Lucia Ferraz (pós-doutor DA/USP)
Debatedor: Sylvia Caiuby Novaes (professora DA/USP)


Ana Letícia de Fiori morgotia@yahoo.com.br
Resumo:
Entre os anos de 2004 e 2007 realizou-se uma pesquisa de iniciação científica baseada em etnografias (via Geertz e Clifford) e análise de discurso (via Barthes, Foucault, Goffman e Bourdieu) sobre os jogos de Roleplaying Games (RPGs), seus jogadores e outros atores sociais com os quais interagem. A pesquisa se desenvolveu por dois ramos. O primeiro corresponde ao primeiro ano como bolsista PIBIC e se refere à relação performática dos jogadores com seus personagens criando, jogando, narrando e representando. Discutiu-se como as fichas de personagem tem o papel de máscaras rituais (Mauss) criadas a partir do repertório cultural e experiências de vida dos jogadores e, quando trazidas à vida pela dinâmica do on e off dos RPGs permitem aos jogadores o intercâmbio mimético (Taussig e Benjamim) de experiências e memórias, através das transportação e do comportamento restaurado (Schechner) além de constantes e lúdicas reconfigurações simbólicas e de selfs, despertando reflexividades e alteridades em um espaço-tempo ficcional e liminóide (Huizinga e Turner). A seqüência total da performance (Schechner); a construção de saberes específicos; a sociabilidade (Simmel) desenvolvida no interior do grupo e entre diferentes jogadores; as releituras autoetnográficas (Versiani) do jogador com seus personagens e a relação conjunta de jogadores com diferentes estilos e pedaços (Magnani) promovem uma socialização específica, entendida enquanto construção social da realidade e mundo vivido (Dubar) e formam um ser RPGista.
O segundo ramo da pesquisa corresponde ao segundo ano como bolsista PIBIC e busca entender os modos pelos quais os jogos de RPG e seus jogadores são tomados como objetos de discurso por diferentes atores sociais, disputando em diferentes campos de saber (Bourdieu). Assim, o RPG é tomado por segmentos evangélicos como satânico e corruptor porque brinca com elementos do sistema simbólico que dá sentido a um ethos específico (Geertz) mas também por servir de antagonista em uma cosmologia que aceita e busca enfrentar a realidade do mal. Outros ponto de discussão foi a violência supostamente imanente aos jogos, percebida por certos psicólogos, evangélicos e juristas, e explorado em casos de assassinato no qual elenca-se o RPG como motivo. Nos dois campos, buscou-se as diferentes formas pelas quais o jogo tem sido defendido e as tentativas de conciliação ou cisma entre atores de diferentes grupos. Também se abordou o crescente campo acadêmico que faz do RPG objeto de pesquisa, notadamente aqueles que exploram os potenciais pedagógicos do RPG em diferentes níveis educacionais e áreas de conhecimento.
Tenciona-se discutir agora os desdobramentos pretendidos para os dois ramos da pesquisa. Um documentário abordando a construção da identidade RPGista focado nas histórias de vida de diferentes jogadores e um trabalho voltado à antropologia jurídica sobre os rituais no processo de julgamento do assassinato de Aline Silveira Soares, ocorrido em Ouro Preto, MG, em outubro de 2001, e o primeiro assassinato ligado pela investigação ao RPG a ganhar repercussão nacional.

Palavras chave: socialização e formação de identidades, jogo, narrativa, experiência, discursos e campo.
Situação: relatório final e projeto

Resumo: Da quadra ao sambódromo: performances da Comissão de Frente

3ª. Sessão 7/11/08 (9h)

O jogo, a Festa e o Liminóide
Coordenador: Ana Lucia Ferraz (pós-doutor DA/USP)
Debatedor: Sylvia Caiuby Novaes (professora DA/USP)


Yaskara D. Manzini yaskara_iyalode@yahoo.com.br

Resumo
A presente comunicação faz parte da pesquisa, em processo, para doutoramento em Artes, linha de pesquisa Processos e Poéticas da Cena, intitulado “Da memória à contemporaneidade nas performances da Escola de Samba: Comissão de Frente apresenta o show!”. O trabalho pretende expor e refletir sobre os processos criativos para as encenações da Ala nos desfiles carnavalescos, e rituais sociais desenvolvidos em quadra, bem como reconstituir a história e evoluções desta ala no carnaval paulistano.
A vivência junto da Comissão de Frente da Escola de Samba Mocidade Camisa Verde e Branco, tem demonstrado que a ala não possui “desempenho” apenas na avenida, mas existem outros “desempenhos” dentro de quadra - nas festas e cerimônias, tais como: aniversário da escola de samba, cerimônias de batizado de escolas de samba etc., quando os componentes “representam o papel” de guardiões do Pavilhão, portanto performances sociais e artísticas.
Na comunicação abordarei questões relativas sobre quem são os performers da Comissão de Frente e como são as preparações destas performances, sociais e artísticas, que se entrelaçam e culminam no desfile carnavalesco.
Palavras-chave: Estudos da Performance, Carnaval, Comportamento, Encenação.
Situação: Em processo

Resumo: A Capoeira no Mundo Globalizado. Uma abordagem dos Estudos da Performance para a Capoeira Angola fora do Brasil

3ª. Sessão 7/11/08 (9h)
O jogo, a Festa e o Liminóide
Coordenador: Ana Lucia Ferraz (pós-doutor DA/USP)
Debatedor: Sylvia Caiuby Novaes (professora DA/USP)


João Luis Uchoa de Figueiredo Passos
Resumo
A pesquisa pretende analisar as práticas de aprendizagem e o ritual da roda de capoeira em grupos e capoeiristas fora do Brasil na atualidade. Utilizando concepções dos estudos da Performance e da Antropologia, procuraremos pensar elementos constitutivos dessa prática como as expressões do corpo e da música, e a experiência do jogo da capoeira, assim como possibilidades de surgimento de novas práticas dentro do universo da capoeira. Há um panorama atual de popularização mundial da capoeira e das expressões corporais e musicais intrínsecas a sua prática. Esse quadro estabelece relações com o contexto nacional, que influencia, e é influenciado, na forma e no conteúdo dessa nova capoeira pelo mundo.
Temos interesse em abordar o fenômeno através de sua expressão geral no treinamento e na prática da roda de capoeira, ou seja, no jogo. Entender a construção da corporalidade característica da capoeira, através da repetição dos movimentos, da ludicidade do estado do jogo e da relação única estabelecida entre corpo e música que encadeiam a atuação e estabelece fluxo de ação coletiva. Partimos da relação direta entre a condução musical e a expressão do corpo, para buscar as matrizes da condução musical executada por esses grupos e sua seleção dentro do leque de possibilidades encontrado no Brasil.
Ainda não conhecemos devidamente esse processo contemporâneo, apesar das facilidades tecnológicas que evidenciam o objeto dessa pesquisa. Hoje, diferente do que enfrentaram os pioneiros dessa expansão internacional da capoeira, existem diversos meios de comunicação e progressiva popularização dos transportes aéreos, por isso é cada vez maior o fluxo de informações e o intercâmbio de praticantes e pesquisadores.
Nossa hipótese principal é que esse processo de fluxo externo-interno da capoeira contribui efetivamente para um processo de transformação das características musicais e corporais, e do panorama geral da capoeira, tanto nos países receptores, quanto na capoeira no Brasil. Também expõe ao aumento da velocidade de mudanças que podem apresentar características em campos diferentes. Setores da sociedade civil e o Estado são influenciados pelo reconhecimento e apoio que outros países podem dar a uma expressão artística, enquanto outros grupos promovem um verdadeiro shopping center da capoeira, direcionando para uma prática capitalista em grandes grupos que agem como franquias. As escolhas estéticas de um grupo em sua relação entre corpo, música e performance de jogo podem estar diretamente relacionada com as opções de posicionamento social que farão.

Resumo: Nomes em julgamento: práticas judiciárias padronizando identidades sexuais

2ª. Sessão 6/11/08 (14h)

Ritual, identidade e tecnologias
Coordenador: Francirosy Ferreira (prodoc/IA/UNICAMP)
Debatedor: Beatriz Perrone Moisés (professora DA/USP)


Ana Lúcia Pastore Schritzmeyer
Resumo
Através de três processos judiciais tramitados na Bahia entre 1998 e 2003, nos quais pessoas requereram a alteração de seu registro civil por considerarem seus pré-nomes impróprios para identificar o sexo que declaravam possuir, analiso como operadores do direito lidaram com regras jurídico-procedimentais relativas à definição de identidades sexuais e de gênero e observo quais argumentos sócio-psico-culturais e clínico-científicos entraram em cena.
Teoricamente, tento explorar o potencial de certas reflexões de Turner, Schechner e Tambiah para sistematizar peculiaridades de performances rituais no campo jurídico-brasileiro, bem como algumas idéias de Bauman, Sherzer e Ong para pensar audiências judiciais enquanto narrativas orais socialmente privilegiadas, através das quais redes de violências podem ser acompanhadas.
Palavras-chave: alteração judicial de pré-nomes; identidades sexuais e de gênero; performances rituais no campo jurídico brasileiro.

Resumo: Observações sobre processos de afirmações identitárias entre remanescentes de quilombos do ribeira

2ª. Sessão 6/11/08 (14h)

Ritual, identidade e tecnologias
Coordenador: Francirosy Ferreira (prodoc/IA/UNICAMP)
Debatedor: Beatriz Perrone Moisés (professora DA/USP)


Rubens Alves da Silva
Resumo
A noção de identidade ainda se mantém como uma questão inquietante para o pensamento dos cientistas sociais na contemporaneidade. Tanto presente em abordagens teóricas mais genéricas atentas para a singularidade dos processos identitários neste nosso tempo, surpreendente, da chamada globalização e “pós-modernidade”; quanto nas produções etnográficas, de cunho acadêmico ou não, dedicadas ao estudo de pequenas comunidades originárias de populações migrantes, bem como às comunidades identificadas como “tradicionais” (nesse último caso a considerar os trabalhos apresentados como “laudos antropológicos” e a propósito da titulação de terras). Com efeito, diferentes teóricos têm salientado a relevância analítica e descritiva do conceito de identidade o contexto atual, porém, sem perder de vista a necessidade que urge de repensar de modo rigoroso e reflexivo o uso instrumental dessa categoria face ás novas experiência.... que apontam para aos sujeitos (individuais e coletivos) um campo de possibilidades e alternativas do “ser ou não ser...”. Para além de uma teoria clássica sobre identidade ou a partir de uma revisão crítica dos pressupostos que norteiam tal concepção, é que novas perspectivas de abordagem e reflexão despontam no campo das ciências humanas e sociais chamando a atenção para as complexidades (inclusive locais) e nuances que envolvem na prática os processos de negociações identitárias, e as conseqüentes implicações dessas variáveis na própria (re)definição da noção de identidade. Inacabamento, hibridismo, performatividade, fluidez, são aspectos ora considerados fundamentais na revisão conceitual da noção de identidade. Sem dúvida, estou a evocar aqui as leituras de autores como Stuart Hall (1998, 2003) , Zygmunt Bauman (2005), Judith Buttler (2003), Michel Argier (2001). O diálogo com estes intelectuais, entre outros, é o que fundamenta a proposta da presente comunicação. A exposição gira em torno da noção de identidade e tem como foco central processo de afirmação identitária no contexto de “comunidades tradicionais” remanescentes de quilombos do alto do Vale do Ribeira, no estado de São Paulo, com base em pesquisa empírica realizada pelo autor in locu e consultas a fontes secundárias, ou seja, “Relatórios Técnicos Científicos [RTCs]” afins. Pretendo, em suma, examinar em que medida uma perspectiva antropológica da performance pode contribuir para análise e compreensão desse processo local, bem como acrescentar à discussão sobre identidades culturais e étnico-raciais na contemporaneidade. Assunto, enfim, que está diretamente relacionado com o meu projeto de pós-doutorado júnior financiado pelo CNPq.
Palavras-chaves: Identidade, identidade étnica, comunidades tradicionais, remanescentes de quilombo.